sábado, novembro 10

Recente

Descobri que tudo realmente é relativo.
Estou à margem, a espreita de algo grandioso!
Nem vou furtá-lo, porque no fundo foi sempre meu.
E essa certeza me liberta de ecos sombrios.

Hoje sou luz!
Hoje sou o encontro do átomo complexo que me joga ao vácuo do tempo.
Temos tempo?
Somos o tempo?
Somos Deus?

O absoluto se confunde com o gozo que me invade.
Pólos alegres;
Pólos ativos;
Quero;
Queres;
Somos e.
Ponto!

sábado, novembro 3


Porque essa vida e essa caixinha de surpresas
quase antônimos de mim mesma...
Sou esse misto, essa saudade e esperança de ainda ser
de desabrochar e sorrir e chorar e amar...
Feliz idade, descobertas, desgostos, desencantos
Feliz idade...
Viva! continuemos a existência
Ouçamos a canção do ego e a certeza do recomeço,
da morte plena do nascer divino!

Mas...

Esse som, visão grotesca, bizarra, abstrata;
antes o silêncio, o ocaso que se recusa...
Nem quero, o nascer!

Quero o morrer! Bem crepúsculo, bem sombra, bem chuva, bem dor!

Nessa sombra de brilho de noite nascente me estupro... me sento a beira
do sonho cintilante da eternidade do cru... Infinito!

Morrer nem é infinito, mas se o fosse. Que graça! Que gozo!

Amor morte! Amor triste!

Tathy e Themer

Duas mãos/Quatro Sentidos

Suaves e profundas
acima, ao lado...

De duas pequenitas estrelas cintilando,
transcrevendo, delineando o suspiro cósmico do sexo surreal!

Mas, mesmo sentindo sublimar todos os toques colocamo-nos num plano
de prazer efêmero; fúlgas como dois pontos de vela queimando num escuro de abandono.

Tathy e Themer Moira

Superficial

O vão do teu "eu", o horizonte do teu céu;
O acorde do medo de estar "ilusão"
A inércia dos teus olhos que o impede de ser Deus,
Eu sou Deus!

És vão, em vão!

Quatro mãos, Acorde!

Sons vocálicos, sublimes gozos astrais
Sintonia ímpar e plural a caminho, buscando a perfeição!

Perfeição busquei na manhã com meus braços inermes,
buscando tocar teu corpo,
acordei e fugi...Rangi os dentes

Ele chegou, acendeu um cigarro, me pegou como quem pega uma meretriz e eu mais uma vez fui...
Feliz!

Luz Canção

Gosto de ouvir vc existir porque tua luz transcende a pequenez humana, porque há mais que a paz na canção que emana sensações ...

Gosto de ouvir você existir porque teu sorriso transcende o óbvio, desperta em mim a doçura da tigresa mãe, ao mesmo tempo devolve em doses omeomáticas o sentimento de busca...

Somos o que sempre fomos, somos o que queremos ser!

sexta-feira, outubro 5

Espinhos e pétalas

Porque..

as pétalas refrescam a alma,
os espinhos reafirmam as dores do ego.

Haverá um dia...
Que os aromas e os sabores serão apreciados por todos.

Haverá um dia que os espinhos serão tombados,
como marco de uma civilização retrógrada,
capaz de aniquilar com verbos imperativos
a essência da vida.
é isso e ponto, até lá...

segunda-feira, setembro 17

मोडा इलु

Semana de Moda em Petrolina

Elas,
Gazelas
Eles,
Deuses do Olimpo
Para eles,
A beleza é o espelho
Para elas,
As outras são o avesso delas mesmas.
Alimentam-se de luz, um arco-íris de ilusão!
Eles,
Bebem o néctar de seus medos,
Embriagam-se da sombra de Narciso,
Mergulham no lago de seus auto-retratos.

Sozinhos ou solitários?
Não sei.
Não sabem.
Quem são?
O que são?
Produtos! são sintéticos.
Enlatados, mercadológicos com alma!

domingo, setembro 2

Aula da saudade...

Que o meu olhar congele a imagem...
Que o meu choro seco guarde a lembrança do tempo que não mentiu e passou. Nunca havia parado pra pensar sobre a celeridade do tempo, sobre essa coisa de piscar de olhos, de delimitação, início de ciclo, fim, tudo metricamente correto, tudo calculado, o mundo é preciso, o tempo é preciso!
Passou tão rápido.
Vou sentir saudade.
Nunca havia parado pra pensar sobre essa coisa, definição para sentimentos que buscamos desesperadamente como algo que servisse como elixir, ou coisa parecida. Vêm as lágrimas, seguidas de sorrisos hilários, vem os sonhos e as ilusões perdidas.
Vem às desavenças; os conflitos íntimos, seguidos de amores perdidos.
Vem às certezas, jogadas ao vento, a galope vem às dúvidas que permanecem por toda a estrada.
A viagem havia sido marcada mesmo antes da minha chegada. Parti rumo ao futuro, e o meu presente já sorria de mim. O que estaria reservado? O que iria me tornar? O que sempre fui e nunca consegui enxergar?
Eu ainda não sei quem eu sou, mas sei que vou descobrir... No momento isso pouco importa. O soluça bate o surdo que pega minha mão e me diz que foi bom demais.
A saudade canta pra mim, tenho saudades sim, mas...
Acabou porque precisa começar...
Vou sentir saudade, mas é melhor assim...

Lua nua...


O que existe?
O que criei?
Palavra concreta;
Sentimento abstrato;
O surdo dentro do silêncio faz a mais perfeita melodia, puro sentimento!
O mudo fala e são os olhos as mais belas palavras; resposta ao silêncio de quem ama.
A lua entra muda, redonda, nua para completar a rima.
A poesia da gramática.
Amor em sílaba tônica descobre que o concreto quebra e que é o abstrato que preenche todo o vazio, o vazio da alma que só sente e isso é tudo.
Amor em sílaba tônica, grita aos quatro quantos que é tempo de mudar de verbo, ainda intransitivo, mas composto com a face do mudo, do surdo, da lua,
verbo imperativo,
invenção de neologismo, em busca da chave, da quebra dos grilhões rumo a liberdade!

Conto de Fadas

(Florbela Espanca)

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!-
Eu sou Aquela de quem tens saudades,
A princesa do conto: "Era uma vez..."

sábado, setembro 1

Amizade...


Ás vezes a gente se encontra perguntando qual o verdadeiro sentido da palavra amizade. As definições vão chegando como um sopro de luz, algumas podem ser acadêmicas, emotivas, infantis, vaidosas, mas nada como a velha prática do dia-a-dia.
Esse dia-a-dia, não exige palavras, não nos faz maior nem menor, não nos faz acima nem abaixo. A coisa vai rolando, como dizem os jovens. A coisa vai acontecendo e sem esperar, independente de quereres, maquiavelismos, ela chega, mostra-se viva, alma, amante, ganha conotação divina, de outras eras, vidas.
O melhor de catar amigos na lista do orkut é descobrir que realmente eles existem, é realmente sentir o sabor indescritível do beijo na tez, do abraço caloroso. Da certeza da plenitude do momento.
A saudade aperta, a saudade é danada.
Amiga que se foi, amigo onde estás?

Notícia e Música

Ele é noticiário, eu sou música.

E o que isso quer dizer?
Ouça minha música e desligue a TV.

Pré-conceitos versus preconceitos

Odeio? Não. Essa não é a questão. O jogo hoje a ser discutido, não será palavras nem figuras de linguagem. Não será o sonho que eu tenho em voar tampouco o que imagino ser quando crescer (sou mulher - madura, ou não, mas me recuso: não quero crescer!).
Bem, o ódio mencionado no início desse desabafo alcoólico quase inodoro, (se não fosse a presença marcante da cevada) é objetivo: infantilidade.
Sempre ouvi essa palavra e sempre a mesma me parecia mal exemplificada. Infantil, como e em que situação enquadrar alguém como infantil? Se for enquadrado, não estaria sendo preconceituosa, e o que o preconceito faz dentro de homens que projetam sempre algo que não o são? Até que num belo dia, me acontece algo quase que inusitado, se eu não dominasse o meu raciocínio lógico, mas felizmente ou não, eu o domino como uma mulher no cio aos uivos em busca do seu desejo.
Pois bem, o lance é que nunca pensei que entre o sexo feminino houvesse disparidades tão... (Nem posso ser redundante, a minha lingüística correta não permite).
No fundo, no fundo o que quero dizer é que palavras quando utilizadas de forma desnecessária podem tatuar dores primitivas, podem decifrar enigmas psicológicos, podem poetizar vomitando medos. Há tantos medos com medo! Há tantos que nem conseguem refletir seus próprios desejos. Nem imaginam serem translúcidos, serem divinos! São negros de sentimentos, são sombrios de ignorância!
Só o são, quando dormem e, dessa vez infelizmente ao acordar esquecem que são: Deus!
As moças foram infantis, as senhoras foram infantis, as meninas foram infantis, mas a justificativa plausível tem que descer garganta a baixo. São passíveis de erros, buscam evolução, são humanas! Assim como os homens que cometem erros tão primários, que se entregam com os olhos, que apostam na fidelidade da alma feminina, sem, no entanto, perceberem que há algo nelas que fala mais alto: Amor próprio, sexto sentido, um contato direto, com a energia magna.
No fundo há um desapontamento, há uma decepção. O verbo que transita minha vida é a liberdade da alma e o que impera meus sentidos é a certeza que apesar dos temores, ainda há algo maior nas entrelinhas que pode, um dia, atingir o gozo pleno que tanto buscamos e que nunca enxergamos dentro de nós.
Poderia estar relatando fel, amargura, mas não o farei. Prefiro ser o entusiasmo que carrega o lado bom do infantil a ser a depressiva por omissão. Carrego o sonho, nino o verbo: sonhar.
Prefiro ser um labirinto preenchido por flores e luzes a seguir uma linha solitária que espeta a pele com inverdades fabricadas pelas caixinhas de Pandora, recheadas de dúvidas, de sentimentos, de conflitos.
Não quero relatar pré-conceitos, não quero alimentar preconceitos que se nutrem de tudo que há de mais impuro.
Quero romper meu casulo, com a certeza que essa metamorfose indispensável me fará mais bela e o melhor de tudo isso: terei asas... Serei verbo, serei vento!

quarta-feira, agosto 15

Cabruera Europe Tour 2007

É AI ONDE EU ACHO QUE NOSSO PAÍS É INJUSTO. ESSE GRUPO PARAIBANO JÁ DEVERIA TER ATINGIDO O TOPO DO TOPO, MAS MÚSICA, SOM, ARTE, RAÇA, CULTURA INFELIZMENTE NÃO FAZEM PARTE DO PRINCÍPIO MERCADOLÓGICO QUE IMPERA A INDÚSTRIA CULTURAL.
POR ISSO, TENHO ALGO A DIZER, MESMO QUE NÃO QUEIRAM OUVIR:
DANEM-SE... E OUÇAM ARTE!

quinta-feira, agosto 9

As respostas

"Não há homem algum tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino."Carl Gustav Jung



Não vieram...


As respostas...

E eu bem que tentei e eu bem que perguntei. Preciso escrever sobre o último texto que li, acho que há algo em mim sem explicação, já desisti de buscar explicações. O lance é que, às vezes, sou tomada por uma força inumana, ( se algum religioso ler isso, pode até achar que isso é coisa de possessão demoníaca rsrsr), mas garanto-lhes, amigos sou luz!!!


Essa força inumana é algo que transcende o que chamo de razão, é por isso que escrevo, que me dispo de ilusões.


Um ser em construção, esse é o fato indiscutivelmente que impera o oriente e ocidente. Queria eu galgar e explorar até o último gozo do evoluir enquanto carne, matéria, átomo, razão...


Elas não vieram...

E eu bem que insisti, mas não há resposta, não há raciocínio lógico que silencie essa coisa que se apodera do meu senso comum, dilacerando meus dogmas, despedaçando minha pseudo-fé...


É o senso mais crítico e talvez, por isso mesmo, o mais ignorante que opera o meu tempo que no momento certo, deixo que pense que tem alguma influência sobre mim...


Nem tomo remédios controlados, nunca fui diagnosticada como portadora de doenças mentais. Bem que queria ser analisada, segundo a psicologia freudiana, (acho suas idéias maravilhosas), mas acho que se assim fosse, perderia o sentido da vida. Gosto da complexidade do ser feminino, gosto de acordar com a sensação de ter percorrido outros cantos, de ter visitado amigos futuros, de ter composto uma canção que me fez deixar de ser carne e passar a ser energia cósmica.


O texto que li trata exatamente do "SER FEMININO", o ser que há milênios é analisado como se fosse algo surreal...

E é sim, quando quer ser, é quase um fingidor, como descreve Fernando Pessoa, uma poesia que finge ser comum, ser dor, ser sangue...
É capaz de orgasmos múltiplos como diz Caetano Veloso, é também capaz de sobreviver por maiores que sejam as feridas...Feridas que dilaceram suas vidas, que interpretam suas buscas introspectivas pela plenitude de gestos simples, essenciais para a sua sobrevivência'.

Oh, bicho forte, oh sexo forte!!!
Se engana, quem pensar diferente. Camaleôas de peles e multicores psquícas...
Atriz e amante, prostituta e santa... Despudorada e Celestial!
Parte 2
O texto que me referi acima, diz o óbvio "Já foi constatado que homens e mulheres não falam a mesma língua. Segundo Luiz Cushnir, um estudioso de assuntos de gêneros do Instituto de Pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo, homens têm dificuldades de expressar suas emoções. Isto deve-se ao fato de que eles têm um raciocínio lógico e matemático, enquanto que as mulheres têm o raciocínio mais voltado para argumentações e questões mais subjetivas. "
É uma pena que dentro do raciocício lógico, dos modelos cartesianos, ainda tenhamos que conviver com informações desse tipo.
É uma pena, que ainda assim, o homem, pobre criatura, ainda se submeta a empurrar com seus neurônios machistas a teoria que são mais fortes, mais capazes, mais independentes, mais cachorros!!!
É uma pena que não chorem quando desejem chorar, que não digam "Eu te amo" quando desejarem dizer, que não cometam loucuras de amor, que não gostem de flores, que não se emocionem no final de um filme de amor!
Por que segundo os estudos, esse silêncio asfixiante do homem lhes causa dores insuportáveis, dores na alma, dores que causam doenças incuravéis...Diz o texo que a taxa de suicídio também é maior entre eles. A dificuldade masculina em lidar com as próprias emoções faz com que eles se transformem em vítimas da ansiedade, depressão, doenças do humor, síndrome do pânico, fobias, pensamentos obsessivos, atitudes compulsivas e disfunções sexuais.
É uma pena que não se permitam sentir-se feminino, que não se permitam ser sensível.
É uma pena que enxerguem a sensibilidade, algo como sinônimo de fragilidade, de espelho fraco e trincado.
Pobres homens...
"Segundo Chevalier & Gheerbrant (1997), fazem parte da dinâmica feminina os sentimentos, os afetos, as intuições, a sensibilidade ao irracional e as relações com o inconsciente. Essa dimensão feminina está presente na mulher de forma consciente e também no homem, só que de forma inconsciente.
Assim, quando um homem olha para dentro de si, ele vê o seu oposto complementar, ou seja, a sua alma com a natureza feminina, que Jung denominou anima. Isso não quer dizer que a essência dele seja feminina, mas que um homem só será um ser total e completo a partir do momento em que ele conseguir integrar esse arquétipo da anima à sua Psique. Os homens teimam em reprimir em si mesmos seus traços femininos porque a cultura assim determina. "Porque o que é feminino é estranho para um homem, tende a se localizar no inconsciente e, daí, exercer uma influência, que se torna maior pelo fato de estar escondida".(SAMUELS, et al,1988, p. 86)."
O grande problema nisso tudo, é a lágrima que se recusa a cair, o sorriso doce que se recusa a alegrar o amigo, a esposa, a amante...
O grande trauma que persegue essa teoria de repressão é a falsa imagem, onde a guerra dos sexos, se mostra frente a frente, num espelho que possui duas cara metades, não se rendem ao fato que são complementos, encaixes perfeitos, como num gozo astral!
Homem e mulher...
Pó e verbo, razão e emoção...
E eu vou parando por aqui, já viajei demais...
Vou acender a luz da minha caixinha de Pandora, vou dizer "Eu te amo", para o meu papagaio barulhento, vou escrever versos de amor ridículos para o grande amor da minha vida, vou passear no jardim de um cemitério e continuar buscando as respostas, fazendo as perguntas, sendo feminina, sendo menina, sendo mulher!
A força inumana continua a me invandir, a respingar em mim o orvalho do desconhecido, continuo a sentir o cheiro de pétalas, no tapete que tatuei a minha vida, desde o fim...
Agora, sou o começo!
Elas não vieram...
As respostas, e daí?

Introspecção Parte 1

Sabe o que mais me chama atenção no existir?

A capacidade que temos em armazenar pensamentos, em esmiuçar sentimentos como se fôssemos realmente processadores ultra-modernos, fabricados por nós mesmos, capazes de evoluir simplesmente pelo desejo inconsciente que impera nossa natureza.

Estou a fazer viagens introspectivas, lapidando meus sentidos, buscando afinar o que há nas entrelinhas do meu mundo insano.

Estou a me perguntar mais que o óbvio, mais que a conjugação do verbo direto, transitivo.

É essa evasão de reticências que aflige a minha alma, sempre foi assim, esse assim é a ânsia análoga a ânsia que me consome os nervos!

A maneira subjetiva, a menina sonhadora que me aponta canivetes a garganta.

É esse ser feminino, tão mal descrito, mal analisado, mal julgado que me faz entrar em transe e questionar os valores implícitos no meu ego... Vale a pena?

Ser feminina, ser metafísica, ser holística, ser romântica?

Vale a pena ler Freud, Rosseau, Marx, Ariano Suassuna?

Ser doce, ser poesia, ser clássica, ser contemporânea?

Não sei, queria continuar não sabendo, rasgar meu cérebro, secar meus pensamentos, partir pra longe, me metamorfosear em nome da liberdade!

Cansei de ser óbvia, quero ser amórfica. Quero mais é explodir de desejo, que a psicologia freudiana me leve pra cama e cometa a condensação dos mais intensos desejos.

Chega de tabus, de análises profundos e paradigmas capazes de cercear o que há de mais sagrado no ser.
Quero ser enquanto ser...
Passar adiante, transcender em nome de mim...

domingo, junho 24

Momento...

Estoy aquí sentado debajo del pequeño solel que nos vio águila y también gorrión.qué hacer con el silencio cuando laCabeza estalla cómo parar la impotencia de no poder hacer nada.Por qué querer matar a tus hijosEs para que duela años la sangreAyer por no querer a la patriaY ahora por quererla demasiado.Leyes viejas, más genocidasMal presagio para la vida.Con la luz llena de sombras y con el solEn sufrimientoVolví a mi casa de rodillas y aquíMis amigos muertos.En un país enfermo, todas las cartas sobre la mesaJugamos juegos perversos entre fútbol y guerra.Sangre de gloria, odio contra amorDioses y bestias, locura y dolorAbriré las puertas de este vacíoPorque el destino me lanzó hacia arriba.Leyes viejas, más genocidasMal presagio para la vida.Insistiré con un mar de rosasY construiré sobre cenizas.Tendré un nuevo sueño en mis manosY lucharé para que sea justicia.Las mejillas de mis hijos en mis labiosY encontré en sus ojos un nuevo descanso.Leyes viejas, más genocidasMal presagio para la vida.Leyes viejas, más genocidasMal presagio para la vida.

sexta-feira, junho 22

León Gieco. Para la vida.

Maravilhoso. Sensibilidade una!

A espera de vários milagres!

Eu retruquei pela sociedade, eu evitei pela minha pseudo-ética, eu evitei pelo meu ego corrompido...Mas, me rendi; e a crônica saiu assim meio vômito, meio ânsia.
Hoje estou rebelde, corajosa, capaz de despir minhas verdades de mentiras que fabriquei para não sofrer, para não ter que me reiventar e chegar antes de todos, atingir o niilismo que um dia desses achei doido demais para o cidadão comum, mas que hoje me vem como elixir para todo o mal até o momento perpétuo em que se encontra nossa energia mutante.

terça-feira, junho 5

Mais uma vez...

Essa tal mutação comportamental- psicológica pela qual passamos constantemente se for analisada com a profundidade que fere a pele e rasga a sanidade, seríamos mais loucos que somos. Essa afirmação é fruto de mais um devaneio surreal que há alguns dias vem me assombrando, é fruto de mais uma descoberta válida, profunda, cósmica. Um dia ele me disse que eu poderia ascender, transcender... Nunca pensei que fosse romper com esses grilhões da dependência física. O amor é essa mistura, essa água morna que conforta, no momento mais preciso. O amor é essa canção suave, essa voz passiva, brilhante...
Me perdi do amor, me perdi de mim mesma... Estou à sombra, a ouvir um soluço vibrante de alguém que ressurgiu tão forte que me surpreendeu e me deu medo. Estou com medo de ser o que sempre fui, de ouvir meu id, meus instintos mais primitivos, meus desejos mais profanos, de pulsar meu inconsciente, de sintonizar minha essência até o limite da carne, do invisível, de libertar meu ego dos entraves burocráticos fabricados por uma memória social, hipócrita, falha, de asfixiar meu super-ego, de romper com a pseudo-moralidade, paradigmas arcaicos, padrões fabricados para cercear a natureza humana. " O HOMEM ESTÁ CONDENADO A LIBERDADE", o homem está condenado ao auto-conhecimento, a imersão ao avesso na alma.
Estou com medo de despir minha tez dessa cor pálida, morta, envelhecida!
Um caos psicológico que invadiu meu tempo, mas ainda há tempo, fabriquei um pedaço de tempo para ser feliz!
Conflitos frutos da minha insanidade racional. Sou incrédula de mim mesma. E agora invento umas verdades pra acabar de vez com outras mentiras. Criei asas, desatei amarras. Engoli meu ego e vomitei meu id. Expulsei meu super-ego, estou sim, condenada a liberdade!!! Graças a mim!!!

segunda-feira, junho 4

Passou... Será?

A vida da gente e suas peças, teatro, ilusão?
Que louco! Um dia desses, um cara me disse: não faça e eu disse: impossível!!! E hoje, me vejo passiva, inerte frente aos fatos.
Estou feliz demais num paradoxo impossível de ser compreendido pelos olhos humanos passíveis de erros... Por isso, que maravilha me decobrir livre, nua e disposta a ser o que deixei de ser!!!

terça-feira, maio 22

OPERAÇÃO NAVALHA. PSIU! BRASIL

Se eu continuasse a escrever sobre a OPERAÇÃO NAVALHA, vocês iriam jogar vírus em mim (rsrsrsrs). Pois bem, resolvi postar outro comentário, infelizmente jornalistico, talvez maquiavélico...
O grande homem: Maquiavel, meu grande amigo (rsrsrs). Durante os séculos XVI e XVII, o seu nome será sinônimo de crueldade. Na Inglaterra o seu nome tornou-se ainda mais popular no diminutivo Nick para nomear o diabo, não havendo pensador mais odiado nem mais incompreendido. (esse era o cara!!!)
Maquiavel afirma que todo o julgamento moral deve ser secundário na conquista, consolidação e manutenção do poder. Prática comum, milenar apartidária, apenas humana!
«Todos concordam que é muito louvável um príncipe respeitar a sua palavra e viver com integridade, sem astúcias nem embustes. Contudo, a experiência do nosso tempo mostra-nos que se tornaram grandes príncipes que não ligaram muita importância à fé dada e que souberam cativar, pela manhã, o espírito dos homens e, no fim, ultrapassar aqueles que se basearam na lealdade». ( cartilha: sem lealdade, sem ética, sem fé, sem PN)
Se naquele tempo a coisa era daquele jeito, hoje, não estamos tão evoluídos (rsrsrs).
Meu discurso já está ultrapassado, nem vou mencionar minha ojerija, minha ânsia análoga a ânsia, tão pouco cuspir revolta nem vontade de produzir coquetéis molotofes (rsrsrs) BRASIL, PAÍS DA ANARQUIA... PALHAÇADA. Você já se acostumou? ainda não? Que pena!!!!
São apenas quatro séculos que nos separam da efervecência política de Maquiavel, será que estamos defasados? Será que o "DIABO" era mesmo gênio do mal ou apenas atrofiamos desejos "maquiavélicos no fundo de nossas fracas almas e não nos entregamos aos fatos? Esse manual da política maquiavélica não precisou ser adequada, nossas práticas se comapradas aquele tempo até estão defasadas, mas não vivas! Estão sim, super-vivas, ativas, enfim, Os fins justificam os meios"... e nada a declarar, procurem meus advogados!

Política é...Sonhar, mentir, Ser... Humano. Uma merda!

Demorei, mas estou aqui... Sabe o que é... Essa coisa de escrever, de despir alma, de transpirar sentimentos é muito comprometedor. Todo escritor é o que escreve. Finge, às vezes ser outra pessoa, mas no fundo é uma mistura de personagens reais, fictícios, humanos, animais, é uma mistura de arte, de viagens surreais, mas no fundo, no fundo, esse escritor é provinciano, primitivo, passa a ser a transparência de águas virgens que compõem os parágrafos profundos, as vozes roucas, as gargantas que rasgam a verdade. As verdades impuras, as verdades mentirosas, a hipocrisia social, as verdades fabricadas, mal elaboradas, os sonhos perdidos, os pesadelos vividos. A alma e a aflição, a contestação da efemeridade do corpo, não da alma... Esse é o ponto que vale viver... Meu maior inimigo continua sendo o tempo, que eu inventei, mas vamos ao texto que vomitei quando mais uma vez assisti ao jornal Nacional... Operação: BRASIL!"

OPERAÇÃO BRASIL!

Palhaçada pra começar... Desculpe...Mas essa foi a primeira palavra que jorrou da minha boca, seguida de gargalhadas, não sei bem se de (realmente achar engraçado, talvez eu já esteja contaminada com essas cenas cotidianas) ou se de ver mais um camburão lotado de colarinhos verdes (grana, absurda!!!). Talvez para o pensamento lógico de Aristóteles, o poder resultasse sempre nisso. Bandidagem, quadrilhas organizadas, crimes políticas comuns, diantes do pensamento da lógica. Pobre de Aristóteles que tinha um discurso ético. ÉTICA: A ética (palavra originada diretamente do latim ethica, e indiretamente do grego ηθική, ethiké) é um ramo da filosofia, e um sub-ramo da axiologia, que estuda a natureza do que é considerado adequado e moralmente correto. KKKKKKKKKKKK (desculpe, não pude me conter) Essa coisa deixou de existir, isso é fato, por quê? o homem é fato inquestionável, mas se você for algum representante do poder legislativo, judiciário ou executivo tem cinco minutos pra me inventar uma verdade da não-existência humana( nesse meio tudo, tudo mesmo é possível). Pode-se afirmar também que Ética é, portanto, uma Doutrina Filosófica que tem por objeto a Moral no tempo e no espaço, sendo o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana. Essa conduta humana é suspeita, muito suspeita...Trata-se de uma ci~encia não-exata, passível de erros. Vamos grampear seus telefones, vamos rastrear suas contas, seus passos, rsrsrsrs) Temos que sorrir dessa coisa ou nos jogarmos de um sedutor precipicio). A ética (palavra originada diretamente do latim ethica, e indiretamente do grego ηθική, ethiké) é um ramo da filosofia, e um sub-ramo da axiologia, que estuda a natureza do que é considerado adequado e moralmente correto. Pode-se afirmar também que Ética é, portanto, uma Doutrina Filosófica que tem por objeto a Moral no tempo e no espaço, sendo o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana? Essa tal de conduta humana é suspeita, muito suspeita... Precisamos bloquear suas contas, grampear seus telefones, entrevistar seus familiares...)
Na filosofia aristotélica a política é o desdobramento natural da ética. Ambas, na verdade, compõem a unidade do que Aristóteles chamava de filosofia prática.( não praticamos essa filosofia)
Se a ética está preocupada com a felicidade individual do homem, a política se preocupa com a felicidade coletiva da pólis. Desse modo, é tarefa da política investigar e descobrir quais são as formas de governo e as instituições capazes de assegurar a felicidade coletiva. Trata-se, portanto, de investigar a constituição do estado. Muita idéia, muita utopia, a real mesmo é OPERAÇÃO BRASIL, mais um escândalo (escandâlo, você se lembra do anterior?). Deixemos de lado a teoria intelectual e fascinante de " O filósofo", e nos voltemos aos fatos:
****STF concede mais três pedidos de liberdade a presos da Operação Navalha. Não estou seguindo o lead da matéria jornalística, nesse caso o que prevalece é realmente a pirâmide invertida para a corja, a elite da pilantragem...
***O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu na noite de hoje (22) mais três pedidos de habeas corpus a suspeitos de integrar o suposto esquema de desvio de recursos públicos para obras, investigado pela Operação Navalha, da Polícia Federal. Assim, o ministro revogou as prisões preventivas do deputado distrital Pedro Passos (PMDB-DF), do diretor do Detran de Alagoas e ex-secretário de Infra-Estrutura de Alagoas, Marcio Fidelson Menezes Gomes, e do prefeito de Camaçari (BA), Luiz Carlos Caetano.
****Operação Navalha: STJ ouve mais 12 acusados e libera três
***STJ já liberou 21 pesos na Operação Navalha
**Operação Navalha só inova porque foi mais fundo e fisgou tubarões da políticaDifícil é supor, como sugerem os partidos, que só uma reforma política baste para conter a corrupção
****
Preso na Operação Navalha nega ter recebido dinheiro ilegal
Presidente afastado do BRB e suspeito de participar da máfia das obras, Roberto Guimarães, disse que cobrou da Gautama pagamento por consultoria ( se assumisse seria perdoado porque seria um homem bonzinho rsrsrs)
**Chegam a Brasília 23 presos da Operação Navalha
***Navalha: deputado cumprirá prisão domiciliar
********PF prende ex-governador, prefeitos e deputado
*Operação Navalha da Polícia Federal, deflagrada às 6h desta quinta-feira, já deteve 46 suspeitos de participar de um esquema de desvio de recursos públicos federais, por meio de fraudes em licitações. Entre os detidos estão o deputado distrital Pedro Passos (PMDB); o prefeito de Camaçari (BA), Luiz Caetano (PT); o prefeito de Sinop (MT), Nilson Leitão (PSDB); e o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares (PSB), além de secretários de Estados e municípios. Além de políticos, foram presos funcionários públicos e empresários envolvidos no esquema.
*********Conheça os envolvidos na Operação Navalha
Zuleido Veras - dono da Gautama e apontado como chefe da quadrilha;
Rodolpho de Albuquerque Soares Veras - filho de Zuleido e acusado de ser o principal braço da quadrilha em Salvador (BA). Dirige a construtora Mandala, que também pertence ao pai e seria usada para atender aos pagamentos de propinas;
Maria de Fátima Palmeira - diretora comercial da Gautama e era o braço direito de Zuleido. Segundo as invetigações, ela ocuparia posição de destaque na quadrilha;
Flavio Henrique Abdelnur Condelot - funcinário da Gautama e teria como função criar a manter relações favoráveis aos interesses do grupo com pessoas que tinham cargos estratégicos, intermediando inclusive o pagamento de propinas. Teria obtido junto ao Ministério das Cidades a destinação de R$ 10 milhões para obras que seriam executadas em Camaçari, na Bahia;
CANSEI... É MUITA GENTE, SE QUISER É SÓ PESQUISAR NA NET. (rsrsrsrs)

domingo, abril 1

Jegues ou jatos?

Comunicação truncada, verbos soltos, asas pengas, inércia, choro, revolta, violência verbal- política-moral, esse é o nosso País, sempre vivenciando uma crise: seja política, seja civil, seja econômica, seja fabricada... Enquanto o país pára em frente a uma crise ridícula e previsível, me permito divagar em lembranças quase longíquas se não fosse a minha memória de elefante. Toda criança pode e tem toda a liberdade de perguntar tudo, a qualquer hora, a quem achar que deva e essa vantagem ninguém toma. Pois bem, voar era um sonho antigo, o status era destinado a ricos, eu ficava do lado de cá, olhando pra cima, acompanhando a lata gigante, ouvindo o som ensudercedor, não podia nem me imaginar dentro de um bicho daqueles, isso era fora de cogitação, mas perguntar isso eu podia: como podia essa coisa não segurar em nada, ficar solta no ar, carregando 100, 200, 300, 400 pessoas, banheiro, cozinha, poltronas confortáveis, piloto, co-piloto, piloto automático, malas, cachorros de luxo? E a velocidade! motores hipersônicos atingindo cerca de 11.200 km/h. Essa coisa de atingir, ultrapassar a velocidade do som, de percorrer distâncias absurdas em horas, de dar a volta ao mundo sem fazer escala, não dava pra entender, nem Mercúrio (ou Hermes) deus da mitologia greco-romana que tinha asas nos pés não poderia se atrever a dar palpite nesse universo tão surreal.
Era um sonho distante, custo altíssimo, nunca poderia imaginar que um dia esse transporte de luxo viraria um transporte popular. Passagens que vão de R$ 1.00 a R$ muitos mil reais, divididos em suaves prestações. (Outra invenção maravihosa, prestações!!! Qualquer um pode comprar em até 36 vezes, paga que nem sente, e ai o prazer de estar no ar, paiarando, vivenciando alta tecnologia paga qualquer investimento que tenha sido feito). Mas as vantagens trouxeram os problemas, o que era luxo virou necessidade, o que era perfeito, começou a dar sinais de imperfeições. Estamos falando de Brasil, nunca ouvi noticiário que informasse crise aparente no setor aéreo em países como EUA, Inglaterra, Japão. Nunca ouvi falar que militares poderiam se rebelar, tornar civis reféns em aeroportos nos quatros cantos do país. Mais isso é Brasil, que agora quer instaurar mais uma CPI, (eles se viciaram nessa coisa de CPI). Querem buscar causas, culpados, mostrar a população os reais motivos desse caos que dava sinais há meses. Falência da mais antiga companhia aérea do país, acidente trágico Gol-Legacy, precariedade da infra-estrutura do setor (máquinas falham, humanos falham), ausência de investimento no setor, aeroportos abarrotados de gente e buracos... Dedos apontados, todos apontam culpados, ninguém reconhece erro. Não poderia ser diferente, claro!
E o sistema de comunicação do Cindacta I acendeu luzes vermelhinhas. alerta!
O Governo Federal assistia ao filme como se achasse que uma mágica realizaria um desfecho não tão óbvio como o que ocorreu, mas se engasgou com a pipoca da decepção, traido pelo excesso de confiança. Agora corre contra o tempo, nem pode voar contra o tempo!! rsrs...
Qual a velocidade você pretende atingir? Ultrapassar a barreira do stress, da revolta, da perda de tempo, roendo unhas, arrancando cabelos, falando ao celular, cruzando os braços ou montar num lombo de um jumento, chupando umbu, ultrapassando a barreira do contentamento?

quarta-feira, março 21

Eureca: óbvio!

O pior da boa idéia? não bebemorá-la, não realizá-la. O pior de se achar esperto? ser engolido pelo rato de laboratório, o rato público. Aquele que finge não saber de nada, aquele que finge não entender nada e que por trás, nos bastidores do jogo tirano, sujo, mortal, aplica a dose certa, omeopática, quase holística se não fosse destrutiva, do fel que impede a evolução.
Estou um tantinho irada, comigo mais que com os outros. Essa coisa de criar expectativa nos outros está fora de moda. Está fora de órbita. O lance moderno, contemporâneo é ser anônimo, ser atômico, ser transcendental. Atingir o topo de dentro para fora, alcançar a luz mesmo caminhando em trevas. Não estou batendo a porta de igreja alguma, nem ao menos creio no que pego, esse concreto é surreal e por isso mesmo não existe, nunca existiu!

o pior da boa idéia? é ter uma vontade quase sexual, frustrar-se, abafar-se, trancar-se dentro da limitação. Oh, coisa triste! sentir fome, ouvir a barriga falar, salivar, sentir o cheiro do prazer e não tocar se quer numa gotícula, num átomo desse momento sublime da condensação da criação.

E ai, a gente sente pena, sente vontade de fazer algo, ou de desfazer algos... Trancafiar esses ratos, distribuir chumbinho...Mas, ai nos vem uma real lembrança. O fato é: a gente é o que quer ser! e muda, e se tranforma, e morre, e nasce quando se permite... É óbvio! Eureca! O fato? a boa idéia só existe se... Ah!

domingo, março 11

Alô Locutor

A história que segue em forma de crônica é exemplo de como quando há sonho e desejo, o homem pode transpor até o limite da dor, até mesmo inventar a dor para atingir seus objetivos.


Lagoas, para quem não conhece é um lugarzinho que lembra quadro de nostalgia de infância. Fica a 135 quilômetros de Petrolina, no estado de Pernambuco, há doze anos era município de Petrolina, hoje o povoadozinho faz parte do município de Dormentes.
A história até que poderia ser contada sem poesia; sem eu ter que parar e me deleitar com gargalhadas e reflexões psicológicas. Cenas hilárias foram descritas com tanta minúcia que chego a sentir euforia.
O personagem principal é Aluísio Gomes, um publicitário, professor universitário, corretor de imóveis, ele é multifuncional em princípio por necessidade, hoje por opção. Um homem que tem muitos causos nordestinos para contar, dentre eles, o que marcou sua primeira vinda a Petrolina, nascido nas Cacimbas, Lagoas fundada pelo seu tataravô, Aluísio nutria em suas noites o sonho de ser locutor, mas nada aconteceu assim, por acaso. Tudo começou em 1968 quando seu pai finado Pedro e seu irmão Edvaldo trabalharam 28 dias numa construção de uma casa no sítio, com o intuito de como pagamento receber um rádio de pilha. Naquele tempo, nos matos, poucos possuíam tamanha tecnologia. Ele lembra com emoção a chegada do pai; montado no lombo do cabalo chamado ‘Caxias’ trazendo o mágico rádio. Em princípio olhos de admiração ficaram inertes esperando à hora de ouvir a magia das canções que saiam de dentro da caixa de madeira. Só quem podia ligar o rádio era seu Pedro, mas tarde D. Leonor (sua mãe). Aluísio tinha 11 anos, não continha a fascinação e pela madrugada acordava de mansinho, deixava a esteira apenas com o calor de seu corpo e ia de fininho ouvir a Rádio Globo do RJ, “A Turma da Maré Mansa” com Chico Anísio o programa “Seu Redator Chefe”, o Globo no Ar. A única Rádio de Petrolina que existia na época era a “Emissora Rural” que despertou nele o interesse por música, ouvia Gonzagão e Teixerinha. Decidiu que seria cantor, sua primeira composição foi realizada aos treze anos, começou a tocar violão, era autodidata, mas seu destino havia sido escrito pela lei cósmica, onde o homem é apenas o meio, a lei é superior, ele seria mesmo locutor. Foi quando nasceu nele uma idéia pra lá de doentia, esse é o mínimo que pode ser declarado nessa crônica. Decidiu que iria à Petrolina, conhecer a Emissora Rural e o radialista mais famoso da época: Carlos Augusto. Mas como convencer sua mãe, que era professora do município de Petrolina a trazê-lo a cidade?
- Para que se cumprisse à lei divina, nada seria impossível. Começou gemendo de dor. Passou três dias e três noites falando pra mãe que estava com dor no dente. Dente este; sadio, sadio... D. Leonor acabou se convencendo e trazendo o jovem Aluísio à Petrolina. Era o ano de 1971.
- A viagem foi cinematográfica: seca braba, caminhão que havia capotado, troncho de um lado, pára-brisa quebrado. DETALHE IMPORTANTE: o menino queria presentear o locutor Carlos Augusto com um jerimum que trouxe pesando cerca de 15 KG.
- Saíram por volta das 13h30 e chegaram às 17h30; a expectativa crescia com o tempo passando. Ficaram hospedados na casa de D. Gentil comadre de D. Leonor. O menino não dormiu estranhando tanto barulho, tanta diferença da cidade para a roça, barulho de carros... Cedinho de pé, aguardava o momento de sair rumo ao seu grande sonho. Fora deixado pela mãe, na frente da Emissora. A recepção foi feita por Carlos Adalto, ele lembra da gravata, camisa de manga comprida, coisa rara de se ver no mato.
- O menino nervoso pediu para ver o locutor Carlos Augusto, levou um chá de banco de 30 minutos, agarrado ao jerimum gigante, quando de repente ele é cumprimentado pelo locutor; a conversa foi rápida, não houve conversa apenas um pedido para que ele mandasse um ALÔ, a sua mãe, pai, irmãos de Lagoas, o jerimum foi entregue e o sonho de entrar para conhecer os estúdios limitados ao balcão da recepção. Saiu da Emissora direto para o dentista. Naquela época, era só apontar para o suposto dente doente e foi exatamente isso que ele fez.
- Dr. Jaime Nogueira, o homem que sem dó nem piedade arrancou-lhe um dente são. Mãe e filho voltaram à noite para Lagoas, Aluísio insatisfeito e já maquinando outra vinda à cidade do Rádio; o locutor não mandou o ALÔ, frustrando ainda mais nosso pobre menino, que não se conformava em ter perdido um dente sem ter sentido o prazer de pegar num microfone ou pelo menos ver um de perto.
- Depois de quatro meses, para gosto dele nasceu um bolso de sangue em cima de um outro dente, dessa vez não havia dor, mas era visível que havia algo de errado, foi rápido para convencer D. Leonor. No outro dia, ambos já estavam amontoados em cima de um caminhão carregado de gipsita trazida de Araripina seguindo rumo à Petrolina, ele mais uma vez perderia um dente, dessa vez uma voz lhe dizia que realizaria seu grande sonho, trouxe mais uma vez um jerimum, o maior que poderia colher de sua roça. Ficaram novamente na casa da comadre D. Gentil, foi quando pela primeira vez o jovem teve o prazer de desfrutar de um passeio à noite, pelas ruas de areia de Petrolina, passeio feito com o filho de D. Gentil até a Igreja Catedral, onde ele ficou embasbacado a admirar tamanha arquitetura e magnitude.
- Foi só no outro dia, às 7 horas da manhã, que voltou a se aproximar de seu sonho, voltou a Emissora Rural, deu o jerimum ao locutor Carlos Augusto, e lembrou que ele ficara devendo o ALÔ a sua família de Lagoas, mais uma vez não conheceu os estúdios, ficou com vontade de pedir para entrar, mas acanhado, teve vergonha e decidiu partir, saindo da Emissora, lembrou-se que quando ouvia o rádio de seu pai lá nas Cacimbas, ouvia uma outra rádio que se localizava em Juazeiro da Bahia, era a Rádio Juazeiro, foi então que decidiu também conhecê-la e marchou rumo à Bahia, pela ponte, a pé, agarrou-se com Frei Damião e Padim Ciço, o Programa que ouvia chamava-se “Uma Ponte e duas Cidades”, apresentado pelo radialista Clésio Atanásio, lembra que crônicas eram lidas escritas por Marta Benevides. O medo de cair da ponte passou, foi como se tivesse criado asas, o frio na barriga aumentava, mas ele não iria desistir. Chegando à Rádio, não só recebeu o ALÔ na hora, como conheceu os estúdios e confirmou sua vontade louca de tornar-se um locutor. Voltou feliz da vida, tinha até se esquecido que o Dr. Jaime Nogueira lhe aguardava para arrancar-lhe outro dente, também são, só meio inflamado.
- Voltou a Lagoas, com muita história pra contar, com dois dias depois ouviu o ALÔ de Carlos Augusto e se encheu de orgulho e graça frente aos amigos. Passou a treinar sua voz, com latas, caixinhas de fósforo. Dois anos e três meses se passaram quando o agora jovem rapaz decide morar em Petrolina, trazendo na mala o sonho de menino, ele seria sim, um locutor. Começou lendo evangelhos na Igreja, narrava jogos de futebol na rua sozinho, quem o via falar sozinho só zombava, achando esquisito, o jovem rapaz era apontado como louco. Foi aí que surgiu a grande oportunidade: um Programa de Calouros- “Domingo de Atrações”, datava o ano de 1976, concurso para locutor, ele se inscreveu, passaram-se meses e nada dele ser chamado para os testes, até que decidiu ir lá, quando descobriu que não haveria mais o concurso. Mas nada acontece por acaso como diz a filosofia popular, quem lhe informou foi Jorge Augusto, locutor esportivo que de cara lhe convidou para ser repórter esportivo num único jogo de futebol. Assustado, mas com a determinação que sempre esteve presente na sua vida Aluísio aceitou, foi aí que seu sonho começou a ganhar forma. Passou a ser estagiário, reserva do reserva durante meses sem receber um tostão, ele sabia que o estágio não poderia durar para sempre, foi ameaçado de ser dispensado, quase viu seu sonho ganhar rumo as Cacimbas, quando Jorge Augusto fez sua defesa e por fim realizando seu sonho, foi contratado para dar a “Hora Certa” era o ano de 1976; um ótimo começo, para ele um excelente começo, porque enfim, ele estava no começo. Início que lhe rendeu uma carreira que durou 9 anos e 3 meses de Rádio. Em maio de 1983, exatamente treze anos depois assumiu a gerência da Rádio Grande Rio AM, ficando no lugar de Carlos Augusto, seu grande Ídolo.
- Sua voz é considera uma das mais belas da região do Vale do São Francisco.
- Abriu a primeira agência de publicidade de Petrolina, agência que mantém até hoje, ilesa, digna e produtiva.
A história deixou de ser comum quando passou a ser inspiradora de jecas, marias, Josés, pessoas comuns que de ouvir falar ganharam força e disposição para tudo, inclusive ir ao dentista.
Cega guerra, amor...

Nazi-fascistas, reacionários que estrangularam sonhos de europeus e americanos. A história da Segunda Grande Guerra, para muitos causa apenas aflição na hora de prestar vestibular. Questões de múltiplas escolhas ou subjetivas fazem com que tenham uma vaga sensação de aflição correndo dentro do relógio; estudantes que só vêem o tempo voar, mas longe, muito longe estão do sentimento de medo e pavor que acompanharam por anos; homens que ainda recordam e, como se o tempo não tivesse passado, as lembranças vivas gritam dentro dos seus subconscientes, resultando em noites mal dormidas, além de tristes olhares perdidos dentro do horizonte vazio e sem esperança. Para eles, o homem é o exemplo mais sórdido da superação do poder de autodestruição.
Grandes diversidades doutrinárias e organizacionais foram características que marcaram os tempos de chumbo. Seqüelas de uma Primeira Guerra que distribuiu descontentamento em vidas no mundo inteiro, resquícios de atitudes infames, negligentes e déspotas, mas facilmente explicada quando analisada de maneira sociológica.
Mussolini na Itália ou Hitler na Alemanha duelavam separadamente rumo ao caos, guiados pela gana e imperados pelo prazer de soberania. Regimes políticos totalitários que controlavam todos os aspectos da vida humana, submetendo-os ao Estado. A supremacia da ignorância reinava. Muitos que viveram aquela época quando recordam ainda sentem a ânsia respingar lágrimas. Eram tempos difíceis.
Raça pura, eugenia, superioridade racial dos povos germânicos; resultado da insanidade de Hitler que promoveu uma das maiores perseguições aos judeus da história da humanidade. Racismo, discriminações políticas e ideológicas são o retrato de milhões de homens, mulheres e crianças pertencentes a grupos ciganos, eslavos, comunistas e, sobretudo, judeus, assassinados pela diferença, pelo desrespeito a diferença. Por trás dessa sórdida página da história, temos algumas belas histórias num paradoxo permitido pela força do universo.
Seu nome era Joana, nascera no ano de 1926, Sua mãe morrera logo depois do seu parto e seu pai sem condições de criá-la achou que seria melhor deixá-la ser criada por seu padrinho, um conhecido coronel do sertão nordestino no interior do interior, num país que não se envolveu diretamente com a guerra, mas que respirou instabilidade e insegurança. Num país que fez sua própria guerra, num sistema também negro. O poder faz o mesmo efeito... O que muda? O modo de morrer.
Nascera no século das mudanças, por ela passaram invenções, conquistas, catástrofes e, sobretudo, guerras. No baú trás lembranças doces e amargas. Vivas lembranças que faz questão em detalhar. A guerra não foge do seu álbum de fotografias branco e preto, não se formara por causa da guerra. Pensava calada e, de vez em quando, ficava ofegante fitando o tempo.
O medo fazia parte do dia e da noite de famílias que preferiam trancar-se ao ouvir aviões sobrevoarem suas casas.
Ela se destacava por não se embrenhar no mato a captura de aventuras pequenas, sonhava grande, sua busca era maior que a efêmera sensação de conquista. A imaginação guiava seus passos, fora a primeira a ler Gonçalves Dias por aquelas bandas, falava com orgulhos dos livros que colecionou ao longo de sua jornada, queria ser escritora. Possuía valores congelados, o pudor aprendera a ter desde criança. Os namoros arranjados e os sabotados pelo pai e irmão de criação, que mais tarde se tornaria seu verdadeiro amor. Viajara por mundos diversos, dentro da imaginação do impossível que possibilitou sua evolução. Delicada, fina, traçou seu destino por acreditar que não há limitação para os sonhos. A guerra não tirou dela a candura de menina nem a esperança, pelo contrário; a fez perceber que é possível aprender com os erros e a ter paciência com a ignorância humana, sem ter que ir de encontro ou ter que se igualar. Sorria na vivacidade de um anjo, sozinha percebeu que os valores mais sólidos da vida são aqueles que afirmam a existência de uma força superior capaz de transformar tristeza em alegria, transformando o que sangra no que gera esperança, a vida embalada com o amor.
Um coração passivo batia no compasso da saudade que rega seu perfeito jardim, sua fortaleza íntima, lá estão os contos, as poesias que não escreveu, mas que vivem e vez e outra saltam da sua memória fazendo netos, filhos e amigos se deliciarem com as histórias antigas. Lá estão os amigos que se foram; a família querida, o amor que também se foi. Lá estão às incertezas e as certezas, os sorrisos e as despedidas.
Quase oito décadas...
Quantos invernos, quantas primaveras! Cativando e fascinando pela paixão que ainda traz nos olhos. Histórias confirmadas pelas lágrimas imaginárias que caem silenciosas sobre sua face, histórias que estão tatuadas nas rugas das mãos que cruzam universos e desembocam no rio da saudade. Seu nome é Joana passou por tantas mudanças, muitas guerras, e hoje é paz...

quarta-feira, fevereiro 21

Recomeço

Porque dentro do modelo cartesiano há de haver uma brecha que caiba a gota de lágrima que escorre dentro da alma.

Há sim, de haver um ponto de luz que ofusque a sombra, a penumbra fuga do homem que teme o amor.

Há sim, de haver o martelo de concreto que quebre a máscara, que manche a farsa, que dispa a dúvida, que destrua a ilusão.

Porque dentro da exatidão do ego há de haver a resposta daquela pergunta que ele finge não existir porque a covardia domina a sua sensatez.

É o silêncio bendito, é o fruto silencioso, doce e profundo que opera na presença dos mestres cósmicos. O milagre do amor dentro da ausência do tempo, dentro da surrealidade do cosmos.

Tudo é mutante, tudo é cíclico.

Porque os sentidos não podem se deixar dominar pela imposição do mito razão, a lenda que afirma o homem como ser seco de vida, morto em poesia.

E o que é a razão?

Se não a matéria inorgânica do mundo objetivo em decomposição.

E o que é a razão?

Se não a ausência dos sentidos que fingem, não fazer parte do contexto, só pra ver até onde vai à insanidade do equilíbrio.

Porque a memória e a percepção estão ligadas pelo elo da evolução.

A janela da alma não se engana, os olhos vêem o que querem ver, não precisam de guia, de roteiro predefinido pela razão.
Decidem se choram, decidem se amam, se querem... A razão enlouquece...
Porque o esconderijo mantém em cárcere a primavera que é a vida do homem fujão, do homem escravo da razão.

A sabedoria não precisa de mestre que a ensine, mas de discípulos que a queiram compreender.

Porque ele, o homem é cartesiano, é concreto, falso em primeiro plano, é água morna esperando o sopro da virgem maculada, a prostituta deusa, do filme censurado àqueles que temem a deus.

A virgem prostituta não teme a deus, é amante de deus, é luz, é vida, é amor...

Ele, o homem é a soma da vaidade, com o pseudo-equilíbrio fabricado para enganar a si mesmo. Ele é um velho-criança... Vícios de adulto mal resolvido...

Isso é o que dá deixar a inocência de lado, deixar de acreditar em contos mágicos.
Deixar de se admirar com o ocaso...

Ele é a pseudo-vitória estilo máquina que é quase perfeita, mas falha quando menos se espera.

Isso é o que dá ouvir música desafinada, esquecendo que a natureza é que compõe a sintonia imortal, dentro do mundo astral, é ela quem dá as cartas.

Seu modelo cartesiano, sua cartilha decorada confundiu seus sentidos.
Hoje ele vê como narciso, ouve como o surdo, fala como o mudo, mas...

Continua fazendo parte da natureza, e as leis são imutáveis, ele busca o domínio da vida, vai tropeçando, gaguejando, errando dentro da ignorância que o faz partícula cósmica em evolução.
Porque ainda assim, sempre ele pode recomeçar.

PERNILONGOOOO

ZUMMMMM PRA VOCÊ TAMBÉM

Pernilongo, mosquito no sul, carapanã em Belém e muriçoca no nordeste. Já começou a imaginar aquele zummmmm no ouvido que é pior que cantiga de galo que canta na hora errada?
O nome é bem complicadinho se for dito por cientistas: culex quinquefasciatus, vivem em solos alagados, lagoas e córregos poluídos pelo homem; e depois das chuvas pode ter certeza que suas noites de sonos não serão as mesmas. O horário de pico é à noite e sabe qual o sexo das malditas? Fêmeas hematófagas, que vão em busca de alimento para maturar seus ovários e se reproduzir e como reproduzem! Quanto mais a gente mata, mais aparece. E o pior de tudo é que os inseticidas não são eficientes. Se matam, não afastam e afastando; ainda prejudicam as nossas vias respiratórias.
Existem maneiras de se tentar dormir como anjo, bem nem sei se anjo dorme, pra ser mais sincera ainda; nem sei se anjos existem, sei que existem mosquiteiros de filó, (é, aquele mesmo que você está imaginando do tempo da sua tatatatataravó: verde, rosinha, azulzinho, amarelo ou branco, isso fica ao seu gosto e toque pessoal), tem também umas velas especiais fabricadas a partir de plantas como a citronela ou a anderoba que liberam substâncias que espantam e o melhor; não fazem mal a saúde, a anderoba não tem odor e a citronela exala um perfume que lembra o eucalipto, mas deixemos de lado as explicações científicas, não sou bióloga nem pretendo.
O que aconteceu foi que como observadora que sou comecei a tecer minhas pirações. Naquela primeira noite que o acompanhei em sua casa fui convidada a ir a seu quarto. Senti que seus olhos pediam apenas minha compania sem aquele desejo explícito de homem tarado, descobri que ele é maior que o sexo. Deitamos, meu coração acelerou; como se já soubesse que depois daquela noite muitas outras viriam, e muitos outros olhares pediram não somente a minha presença como também minha alma.
Conversamos como se fôssemos amigos de infância, numa calma e serenidade que só poderia ser perturbada por um ser muito indiscreto e insistente como a muriçoca. (não ria não; que o negócio é sério). O romantismo se foi como a água de um rio que não para de correr. Aquele zum zum zum invadia nossos ouvidos como um rock reavy metal, daqueles que nem mesmo distante você se esquece, pois bem, ele levantou como se tivesse uma missão a cumprir, se armou com a munição do cessar zumbido e calou uma por uma daquelas fêmeas sedentas por atrapalhar nosso momento de paz. Achei engraçado e continuo achando porque todo dia esse mesmo ritual se repete. Uma por uma se embebeda com aquele veneno que como já disse lá em cima só mata, mas não acaba com aqueles seres chatos e irritantes.
Falar dele nesse momento é lembrar que rituais fazem parte do seu dia- a- dia. Quando acorda, quando abre o olho, quando sussurra ao meu ouvido o que só a mim pertence. Quando bebe água, quando sorri no seu universo. Ele é lindo! Capaz de transformar uma muriçoca em poesia da mais alta qualidade. Acho que ele não tem noção que eu vigio sua alma, acho que ele nem sonha que qualquer palavra dita por ele me faz parar e descer do meu mundo.
As muriçocas foram embora e sepultados nesse meu texto que é uma mistura de aula de ciências com literatura contemporânea.
Sei que depois de muitas noites acompanhando meu amado, ganhei dele um apelido carinhoso: abelhinha. Gostei porque depois de tantos outros que ele me apresentou (nem queira saber quais foram.), pelo menos não fui apelidada de muriçoca. (imagine se fosse; com aquele ritual todo com certeza eu correria o risco de cair em sua cama, mas dessa vez tombada pelo spray do extermínio).
Ah! Tem outra coisa também, fiquei pensando que com o fim das chuvas e a proliferação desses insetos temos apenas o problema da picada e do zumbido, imagine se não tivesse chovido; teríamos o calor absurdo, a falta d’água e o possível apagão, aí; Deus nos acuda, mais a ele (o meu amado) que a mim, porque no escuro é pior que no claro e elas fariam a festa comemorando e pirraçando , mas essa é uma história só lá pras bandas do sul.

Decência

A espera de um milagre...
Quanto custa sonhar?

Era uma vez democracia, cidadania, ética, decência. Era uma vez um Brasil verde e amarelo que transcendia esperança e trabalho. Hoje, vivemos a época da desconstrução. Do neologismo para dar nome a tanta maracutaia, a tanta sacanagem feita em tempo recorde.
Jaz a vergonha na cara, jaz o “medo do castigo de Deus", é bem verdade, que ateus só crêem em suas gordas contas bancárias e que Deus anda sem saber o que fazer com suas criaturas tão sacanas.
Corruptos dissimulados, impunes, máculos perante uma sociedade inerte, dopada, alienada, viciada no “toma lá, dá cá”, “uma mão lava a outra”, “conversando a gente se entende”, “jeitinho brasileiro”.
É bem verdade que esse discurso está ultrapassado, que entra pleito e sai pleito e a rotina gera demorados bocejos de uma nação, vamos dizer, um tantinho... Deixa pra lá, sem ofensas.
Será necessário enumerar culpados? Que hipocrisia, demagogia, situação ridícula, desnecessária! A lista é histórica e vive se renovando dia-a-dia...
Talvez minha acidez esteja respingando aí, perto de você, eleitor “consciente”, que vive cobrando ética, justiça, honestidade e que sonega imposto quando acha necessário, e que explora seus empregados no dia de sábado sem hora extra; é, talvez eu esteja sendo satírica demais, cáustica demais, me desculpem, é que também tenho o direito de cuspir verdades mofadas por tanto tempo guardadas na memória de pseudocidadãos sem memória. Talvez, não esteja num dia bom, talvez por eu ter levado uma rasteira daquele que disse praticar a ética, mas que na hora do pra valer, decide praticar a cartilha da sobrevivência acima de valores, a lei da selva de pedra, da política neoliberal acima da moral.
Jaz a idéia de progresso, é o retrocesso que mantém a linha da involução... Estamos chegando lá, em lugar nenhum, andando em círculos, revendo histórias cômicas se não trágicas de homens públicos, homens comuns defendendo seus próprios umbigos, interesses em nome do bem estar individual, enquanto que a responsabilidade social, enquanto que o desenvolvimento integrado sustentável fica sem sustentação, veiculado em publicidade paga com o dinheiro frouxo seu, meu, nosso... A espera de um milagre.
Ah, se não fossem os milagres, as mudanças inesperadas, as descobertas de diamantes no meio da lama...
Que o sol aqueça a alma dos que ainda desejam ultrapassar o limite da metafísica e romper com os paradigmas impostos pelos sistemas usurpadores da liberdade natural defendida por Rousseau...
Essa tal liberdade que ganhou grilhões da politicagem consolidada no país da impunidade. É bem verdade que não se viu tanta gente ir presa como agora, devemos nos orgulhar ou meter nossa cara no buraco mais profundo da terra seca do nosso sertão?
É bem verdade que a prática desregrada de ações de quadrilhas organizadas tem tido suas quedas, mas nada que nos faça comemorar os bilhões de reais que andam passeando em paraísos fiscais, em bancos suíços, americanos, argentinos, brasileiros, qualquer banco serve até loteria de bairro!
Era uma vez a sobriedade...
Embriaguem-se com a justiça fabricada pela injustiça política-humana. E se puderem semeiem esperança e assistam a espera de milagre!
Que um dia a gente chegue lá, saia do círculo, saia da rotina imunda e rompa com os grilhões da corrupção! Não custa nada sonhar, eu acho!!! É bem capaz que alguém invente uma taxa, um imposto sobre sonho. Será?

Tatiane Marta

Sertanejo

Sertanejo: herói brasileiro

E é preciso fazer diferente, mas como? A coisa já havia se tornado crônica há anos, mas quando se vê o problema destruindo veias, retardando princípios éticos, morais, humanitários; dói mais. De que estou falando? Pois bem. Vamos aos fatos. A história que será relatada é conseqüência histórica de uma colônia invadida por exploradores, sanguessugas civilizados, povoada por degredados, roubada desde os primórdios, saqueada por povos de todas as raças.
Vivemos o ápice da condensação de homens públicos que vendem suas almas a qualquer um que pague com o dinheiro fruto do trabalho de cidadãos inconscientes, permanentes na ignorância que mantém o ciclo vicioso do voto comercializado, em nome da perpétua vida de miserável.
A notícia não é nova, mas pela primeira vez na história podemos sentir que a situação possui ramificações em 77% das prefeituras brasileiras. Essas ramificações traduzem corrupção de todos os tipos, da mais simples, primária aos olhos dos profissionais do planalto, aos grandes rombos que até Deus se benze!
Relatórios realizados pela Controladoria Geral da União, de junho apontam que o câncer se proliferou. Nossa pátria amada é composta por 5560 municípios, a fiscalização foi feita por amostragem, pouco mais de 10%, foram fiscalizadas apenas 780 prefeituras, dessas apenas 602 apresentaram graves irregularidades, e em pelo menos quatro municípios na Bahia (Porto Seguro, Taperoá, Cansanção e Mucuri), a CGU teve de recorrer à Polícia Federal para ter acesso aos documentos das prefeituras e garantir a segurança de seus servidores.
Onde nossos homens públicos, astutos, vis, hipócritas, bandidos, pobres almas bandidas pecam? Em licitações manipuladas, falsificação de notas fiscais, prefeitos contratam empresas de parentes para execução de serviços para o município. Quer um exemplo no nordeste? Na Bahia foram 59 prefeituras investigadas, dessas 56 apresentaram irregularidades, ou seja, 95% das prefeituras baianas investiram alto em prol de seus chefes, em nome de sua sobrevivência pacata e tranqüila, mas a coisa não está tão escancarada só na Bahia não, tem lugar muito mais descarado. De acordo com os dados oficiais, há oito Estados em que 100% das prefeituras fiscalizadas apresentaram graves problemas - Alagoas, Amazonas, Amapá, Ceará, Piauí, Sergipe, Rondônia e Roraima. Lá, eles, os donos da casa cometem os crimes a olhos vistos, o povo já nem se perplexa mais, permanecem anestesiados pela fome e carência coletiva.
Em São Paulo, o índice de irregularidade chegou a 58,2%. Só é maior do que no Acre e no Rio Grande do Sul.
Mas aí me vem uma pergunta também primária e a Lei de Responsabilidade Fiscal? - LRF (Lei Complementar n. 101, de 04 de maio de 2000) não é ela que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, mediante ações em que se previnam riscos e corrijam os desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, destacando-se o planejamento, o controle, a transparência e a responsabilização, como premissas básicas. Definição bonita, não é meu caro leitor? Pois bem, essa tal lei veio para por freios nesse trem desgovernado, veio para minimizar o rombo que já havia se tornado incontrolável, mas como vocês podem confirmar, não anda dando jeito. Isso é prova de que falta muito ainda, talvez falte tudo, recomeçar, reconstruir, reescrever, replanejar, recuperar, mas deixemos de lado o reeleger... Repensemos o mal pela raiz, recuperemos nossa alto estima, nossa consciência crítica, reeduquemos nossos vícios, refaçamos nossos ideais...
Oh! Povo brasileiro pacífico, que dispa seus medos, que recupere sua liberdade, que rompa com ideologias, com paradigmas que só arrastam-nos para o breu.
O espetáculo eleitoral está em fase de montagem, daqui a alguns meses mais uma vez teremos o poder de reescrever nossa história, tão simples como abrir os olhos e agradecer ao Deus Supremo o dom da vida, tão simples quanto sentir o cheiro macio das rosas recebidas pelo amado. É você alma em evolução, é você povo sertanejo, verdadeiro herói da nação que deve reverter esse caos.
O cenário já está sendo montado, os atores são os mesmos lobos, sanguessugas históricos, raposas anciãs, cobertas de sede pelo que é alheio, pelo que não lhe pertence, o roteiro também é o mesmo, porta-a-porta, acordos entre prefeitos, reuniões a base de cochichos ao pé do ouvido, as promessas que os santos nunca cumprirão, que os demônios também...
A maquiagem pode até oscilar de tom, mas todos continuam sendo caras-de-pau, ridículos, imundos, infames, dramaturgos da corrupção!
O ingresso sofreu queda no mercado, sabe como é que é... muitas denúncias, a coisa também ganhou outro rumo... Seu voto vai sair mais barato, mas não tenha dúvida continuará valendo muito!
Os personagens nos mesmos atos, a peça que pode acabar em pizza, todos são apaixonados por pizza!
E quanto a nós, e agora me incluo como cidadã...
Que o sonho ganhe asa, fortaleça-se no sorriso do filho caçula, da grávida mais linda do mundo, da vovó que comemorou 80 anos de vida, da amiga que decidiu ser mãe solteira, que o sonho ultrapasse a velocidade da dor, da fome, da desesperança, da falta de luz, da doença, do frio...
Meu sertanejo, meu herói brasileiro, faça uma força, seque o suor da tez e volte a sonhar...
E é preciso fazer diferente, mas como?
Você sabe meu caro leitor...
É claro que você sabe...

Quanto vale o seu voto?

Quanto vale seu voto?

Não gosto de escrever em 1a. pessoa, mesmo sabendo que a imparcialidade por mais que faça parte da cartilha do jornalista ‘foca’ é algo que não tem importância ao longo da nossa jornada. Princípios éticos, profissionais que aos poucos perdem sua força, mas aqui não me posiciono como jornalista, mas e principalmente como cidadã.
É repugnante ter que optar por lados, a política é algo que fere a sensatez e a plenitude do ser. Uma guerra entre fortes e fracos impera em verbo intransitivo. Ganha quem tem mais dinheiro e menos caráter.
Há meses tenho acompanhado a política que é feita em nossa cidade. Uma Petrolina que vi crescer, tornar-se bela. Sempre quando voltava de Campina Grande onde cursava comunicação, me vislumbrava com a magnitude que vinha se tornando minha terra. Orgulho em ser petrolinense...
Quanto vale o seu voto? Comprovei e poderia até ter elaborado uma pesquisa cientifica, o outro lado da política. Todo ‘foca’ é revoltado e crítico feroz da politicagem que é cometida no mundo e nosso país bate recordes de corrupção. Sempre fui contra essa política que dá um saco de feijão em troca dos votos inconscientes de famílias que achava serem famintas. Vítimas do descaso social. Que pena, eu me iludia com o sonho do socialismo, da igualdade, dos direitos e deveres cumpridos. A corrupção está intrínseca a cultura do povo brasileiro.
Quem é mais corrupto quem pede ou quem dá? Confesso. Não sei.
Acompanhei cenas absurdas, visitei bairros nobres, favelas, bares, feiras. O meu voto por uma “caixa de cerveja”, “pague minha conta de água”, “tire minha habilitação”, “você tem o quê pra me oferecer”. Deprimida fiquei muitas vezes, indignada, decepcionada...
Sei que a fome é exclusão, sei que apenas 20% do desperdício de alimentos do país; seria suficiente para alimentar 32 milhões de brasileiros que estão a margem, a espera de políticas que dignifiquem sua existência. A fome é política, é uma forma de cerceamento moderno, um exílio sem fundamentos...
70 milhões de toneladas de grãos, 8,5 milhões de hectares de terra. Não podemos dizer que somos um país pobre, temos recursos inestimáveis. E então, o que nos falta?
Se há uma unanimidade nas sociedades democráticas modernas; ela se concentra no universal desprestígio do político. Suspeitos, oportunistas... Sarcasmos nos olhos de gente humilde, e também viciada em pedir um “favorzinho”. O eleitor é uma andorinha que se recusa a fazer sua parte, quer ir para outros ares e lavar as mãos em outras águas.
Há meses acompanhando a política em Petrolina, pude tirar mais uma máscara e vi uma outra realidade. Nem todos são vítimas, nem todos são culpados.
Há políticos hilários, dignos de pena. Há políticas infames, desprezíveis, verdadeiros mestres da retórica. Há os que choram e fazem rir. Há os que não olham no olho; por entender que estão sujos demais. Há os que aparecem de quatro em quatro anos trazendo carcaças de frango, há os que oferecem sopa e um pedaço de pão. Há os que trocam de partidos, um verdadeiro ping pong de infidelidades. Há os que compram seu voto por dez reais, por dez sacos de feijão.
Há os que voltam a prometer e a ler as mesmas propostas de outrora, subestimando ao povo, políticos amnésicos, criaturas vãs.
Encontrei de tudo um pouco. Eleitores corruptos tanto quanto alguns políticos. Eleitores viciados, miseráveis acomodados.
Há eleitores que esperam a hora do ‘cochicho ao pé do ouvido’, a hora do pedido tão desejado. Há os que começam contando a vida sofrida, a mãe doente, a filha grávida e por fim, chegam ao objetivo. “voto em você se você me der isso”. Quantos não vi fazendo isso...
Há os que são diretos, vão logo soltando o verbo, há os usam o nome de Deus, se Deus quiser, mas preciso de um incentivo...
Mas há também os eleitores apaixonados, os que ainda alimentam a esperança. Os que votam por amor a política, pela consciência política. Há os que admiram e vibram e abrem suas portas e servem água, café, cachaça, bode assado. Há os que abraçam tão forte que torcem o esqueleto do político, há os que apertam as mãos com os calos duros, enraizados na pele pelo trabalho árduo do sertão. Áridos corações que torcem pelo fim da indústria da fome, pelo fim da indústria da seca. Homens valentes, com pouco estudo, mas tão dignos. Mulheres com seus muitos filhos, catarrentos, com buchos crescidos que pedem somente que eles voltem e cumpram o que prometeram.
Algumas vezes senti a presença de Deus em casas de barro, onde famílias se escondem do sol, se protegem da chuva, mas sorriem felizes como se morassem em verdadeiros castelos.
Confesso que hoje sou meio ‘foca’ e meio profissional. Meu coração ainda ferve de indignação quando ouço de lábios vis a repetição do mesmo discurso demagogo de homens que apostam na regressão da humanidade, mas por outro lado meu coração salta de entusiasmo quando encontro pessoas humildes tão puras e honestas, tão humanas e cheias de esperança.
Confesso que mudei minha visão jornalista, agora deixo de ser pura e simplesmente cidadã e passo a ser observadora crítica jornalista. Deixei a revolta de lado, pude entender os dois lados. Amadureci a política que existia dentro de mim.
Meu voto não tem preço. E o seu?

Romance

Cega guerra, amor...

Nazi-fascistas, reacionários que estrangularam sonhos de europeus e americanos. A história da Segunda Grande Guerra, para muitos causa apenas aflição na hora de prestar vestibular. Questões de múltiplas escolhas ou subjetivas fazem com que tenham uma vaga sensação de aflição correndo dentro do relógio; estudantes que só vêem o tempo voar, mas longe, muito longe estão do sentimento de medo e pavor que acompanharam por anos; homens que ainda recordam e, como se o tempo não tivesse passado, as lembranças vivas gritam dentro dos seus subconscientes, resultando em noites mal dormidas, além de tristes olhares perdidos dentro do horizonte vazio e sem esperança. Para eles, o homem é o exemplo mais sórdido da superação do poder de autodestruição.
Grandes diversidades doutrinárias e organizacionais foram características que marcaram os tempos de chumbo. Seqüelas de uma Primeira Guerra que distribuiu descontentamento em vidas no mundo inteiro, resquícios de atitudes infames, negligentes e déspotas, mas facilmente explicada quando analisada de maneira sociológica.
Mussolini na Itália ou Hitler na Alemanha duelavam separadamente rumo ao caos, guiados pela gana e imperados pelo prazer de soberania. Regimes políticos totalitários que controlavam todos os aspectos da vida humana, submetendo-os ao Estado. A supremacia da ignorância reinava. Muitos que viveram aquela época quando recordam ainda sentem a ânsia respingar lágrimas. Eram tempos difíceis.
Raça pura, eugenia, superioridade racial dos povos germânicos; resultado da insanidade de Hitler que promoveu uma das maiores perseguições aos judeus da história da humanidade. Racismo, discriminações políticas e ideológicas são o retrato de milhões de homens, mulheres e crianças pertencentes a grupos ciganos, eslavos, comunistas e, sobretudo, judeus, assassinados pela diferença, pelo desrespeito a diferença. Por trás dessa sórdida página da história, temos algumas belas histórias num paradoxo permitido pela força do universo.
Seu nome era Joana, nascera no ano de 1926, Sua mãe morrera logo depois do seu parto e seu pai sem condições de criá-la achou que seria melhor deixá-la ser criada por seu padrinho, um conhecido coronel do sertão nordestino no interior do interior, num país que não se envolveu diretamente com a guerra, mas que respirou instabilidade e insegurança. Num país que fez sua própria guerra, num sistema também negro. O poder faz o mesmo efeito... O que muda? O modo de morrer.
Nascera no século das mudanças, por ela passaram invenções, conquistas, catástrofes e, sobretudo, guerras. No baú trás lembranças doces e amargas. Vivas lembranças que faz questão em detalhar. A guerra não foge do seu álbum de fotografias branco e preto, não se formara por causa da guerra. Pensava calada e, de vez em quando, ficava ofegante fitando o tempo.
O medo fazia parte do dia e da noite de famílias que preferiam trancar-se ao ouvir aviões sobrevoarem suas casas.
Ela se destacava por não se embrenhar no mato a captura de aventuras pequenas, sonhava grande, sua busca era maior que a efêmera sensação de conquista. A imaginação guiava seus passos, fora a primeira a ler Gonçalves Dias por aquelas bandas, falava com orgulhos dos livros que colecionou ao longo de sua jornada, queria ser escritora. Possuía valores congelados, o pudor aprendera a ter desde criança. Os namoros arranjados e os sabotados pelo pai e irmão de criação, que mais tarde se tornaria seu verdadeiro amor. Viajara por mundos diversos, dentro da imaginação do impossível que possibilitou sua evolução. Delicada, fina, traçou seu destino por acreditar que não há limitação para os sonhos. A guerra não tirou dela a candura de menina nem a esperança, pelo contrário; a fez perceber que é possível aprender com os erros e a ter paciência com a ignorância humana, sem ter que ir de encontro ou ter que se igualar. Sorria na vivacidade de um anjo, sozinha percebeu que os valores mais sólidos da vida são aqueles que afirmam a existência de uma força superior capaz de transformar tristeza em alegria, transformando o que sangra no que gera esperança, a vida embalada com o amor.
Um coração passivo batia no compasso da saudade que rega seu perfeito jardim, sua fortaleza íntima, lá estão os contos, as poesias que não escreveu, mas que vivem e vez e outra saltam da sua memória fazendo netos, filhos e amigos se deliciarem com as histórias antigas. Lá estão os amigos que se foram; a família querida, o amor que também se foi. Lá estão às incertezas e as certezas, os sorrisos e as despedidas.
Quase oito décadas...
Quantos invernos, quantas primaveras! Cativando e fascinando pela paixão que ainda traz nos olhos. Histórias confirmadas pelas lágrimas imaginárias que caem silenciosas sobre sua face, histórias que estão tatuadas nas rugas das mãos que cruzam universos e desembocam no rio da saudade. Seu nome é Joana passou por tantas mudanças, muitas guerras, e hoje é paz...

Pois bem, faz tempo que venho evitando, me esquivando, buscando jeito de adiar essa coisa de escrever, aqui a gente se despe de tal maneira que as veias pulsantes se abrem, se despem, se vêem livres como se a liberdade existisse. O duro é saber que tudo é fruto de devaneios que nos permitimos fazer para fugir do tédio que insiste em ser.
Na Veja de algumas semanas atrás li uma entrevista de Delfim neto onde de uma maneira prática, objetiva e sonora ele disparava: “é preciso sufocar a liberdade para combater a desigualdade”, e dizia mais “o velho Karl constatou que mesmo antes do surgimento do mercado que a liberdade e a igualdade são incompatíveis. Que o homem livre naturalmente produz a desigualdade.” Essas declarações me martelaram de lado-a-lado, sou aquela jornalista que ainda faz questionamentos metafísicos e que vai descamando dogmas em nome de princípios cósmicos. Sou aquela jornalista pouco comum que ainda vê saída, alternativa, oportunidade em fazer diferente, em se pôr diferente. Quando a gente analisa a situação política, econômica e principalmente social do nosso país, é que a gente consegue enxergar essa verdade quase absoluta dita por Karl Marx há século e por Delfim Neto há algumas semanas atrás. Será que o tempo passou? ou ainda estamos perdidos num túnel do tempo, obsoleto, arcaico, medieval?
E eu tenho que permanecer primeira pessoa. Tenho que vibrar, que desafinar, que esbravejar quando sentir vontade, quando achar que já deu, que a gota virou um oceano de hipocrisia; de jeitinho politiqueiro, quando eu achar que as gangues estão explícitas demais, que as quadrilhas já não se enxergam como vilãs, mas como mocinhos. A justiça nunca foi igual para todos, é cega sim, fecha os olhos da ética, da moralidade para beneficiar seus próprios interesses. O pior de tudo isso, é saber que estou apenas repetindo um velho discurso, que estou levantando uma bandeira rasgada, suja, esquecida. Nosso povo pacífico; dócil está anestesiado, está globalizado a ponto de achar que tudo pode ser, que tudo é possível, que não é com ele, nem com a família dele. E daí ? Que se dane, faço o melhor para defender o meu umbigo, o meu “de come” como se a comida que alimenta fosse apenas o arroz e feijão a preço de ouro, como se a reflexão tivesse sido banida, exilada, escondida em nome da comodidade. Quem não gosta de comodidade? Quem não prefere está à sombra que ao sol, gritando, reivindicando, socializando-se, buscando soluções. Em algumas conversas tidas com pessoas comuns, trabalhadores rurais, professoras de interior tenho ficado ainda mais pasma, embasbacada, a coisa está gigantesca, o ócio reflexivo dominou geral. Vazio como a música que não diz nada, que balança o esqueleto com frases secas de poesia e de emoção. Assim está a mente do povo brasileiro que se vê a margem, sempre a espera, sempre na fila de espera, que sempre assiste a reprise da vida real, em diversas fases da vida, pra nascer, pra sobreviver, pra morrer. O que muda? a idade, apenas a idade. E o que fazem? corrompem-se quando vêem oportunidade, se calam por medo, fraqueza, opção. Meu verbo ácido impera e dispara: AGIR. Ninguém age, ninguém reage. ninguém...
A verdade não é absoluta, para ser sincera a verdade realmente não existe, mas a mudança sim, é absoluta, somos mutantes, inconstantes, aprendizes.
O que me revolta é a ignorância por opção. Essa, de mim, tem o desprezo, à ojeriza, o vômito azedo de revolta. A solução para a vida, é pensar e realizar. realizemos, povo...
Pensemos...
O fazer ficou aos racionais, o obedecer, aos irracionais. Animais? Somos tantas vezes animais, grosseiros, estúpidos, corruptos...Somos tantas vezes jegues, jumentos, açoitamos a nossa racionalidade por interesses egocêntricos, defendemos a ilusão, a farsa, à vontade... É essa vontade, essa coisa de possuir, de desejar e fazer tudo pra obter aquilo que deseja, completamente tudo que nos faz sujos, profanos, evoluintes... Falta tanto... Falta muito, mas o que me anima é que podemos sim, metamorfosearmos, podemos sim, atingir o topo. QUERER... essa palavrinha, é bem vinda, e essa PODER, está tatuada na nossa memória acásica, podemos tudo e a explicação é alva: somos uno!
Mas há ainda aqueles que desejam ser fragmentos, vírgulas, átomos divididos; para elas ofereço veneno: aceita, veneno? Uma suave e mortal dose de veneno, em nome da evolução!

Tatiane Marta
09/02/2007

Os intelectuais que dão coice

Gritos, debates, silêncios. O universo dos docentes acadêmicos é um palco, onde atores interpretam milhares de papéis, de filósofos a bobos da corte. A euforia é normal, a humanidade precisa vibrar e é natural que o conhecimento desperte essa euforia. O que está em evidência é a vaidade acadêmica.
Intelectuais que se mascaram de uma pseudo-sapiência, dentro do ceticismo e atitudes entusiásticas, eles galgam rumo à ignorância. Paradoxo perfeito! Visto que quanto mais dizem que são, mais deixam de ser, o que na verdade, nunca foram. Falam em nome da verdade que fabricaram para manterem-se no topo, em alta. Desprezam opiniões de alunos, por se acharem superiores, por serem mestres, doutores, por conhecerem mais autores... pobres homens...
Afastam-se cada vez mais da espiritualidade, segregando ideologias que só servem para limitar a evolução humana. Qualidade intelectual questionável, visão erudita ultrapassada por valores irreais. Não sabem que está além e eles se recusam a ler suas próprias almas. Dão coices como jumentos raivosos, são prisioneiros de si mesmos.
A sociedade tem culpa, mas não inteira. Quem permite criar tantas desigualdades extrapolando o próprio caráter de finitude que temos­­! Quem fabrica verdades, que enxerga tudo menos a si mesmo!
Quem é que despreza os sentimentos em nome da vaidade!
A visão elitista sugere superioridade, segrega etnias no campo intelectual. Agem como bárbaros eloqüentes e sofistas, defendem seus interesses em nome do narcisismo implícito nos seus egos literários. Seria tão diferente se lessem menos e praticassem mais o que dizem ser detentores. Pensam sempre acima, e esquecem que a reflexão destrói verdades que nunca existiram.
Silenciam por se acharem sábios demais, esbravejam impondo seus dogmas que afirmam serem a condensação do ceticismo científico e se perdem diante de perguntas tão comuns. Não sabem nem quem são.
Confundem religião com espiritualidade, preferem não opinar, preferem ser Deus. Platão identificava na alma humana três virtudes: o instinto, a coragem e a razão, no instinto manifestam-se os desejos ligados à sobrevivência e a reprodução, pela coragem o homem expressa desejos superiores e pela razão governa sua vontade e seus instintos, o intelectual que sofre da moléstia da vaidade atropela as virtudes e se delicia com os prazeres da pseudo-sabedoria.
René Descartes, em sua obra "O Tratado das Paixões" deduz que é no livre-arbítrio que o homem poderá buscar a educação do intelecto, capaz de livrá-lo do vício. Afirma que o erro moral é precedido pela falta de sabedoria. Para ele a utilidade da moral consiste em governar o desejo sobre o nosso modo de agir. E quanto mais se lê filosofia, sociologia, ética profissional, mas se vê a ignorância ganhar forma na luta armada de argumentos rochosos e secos. O homem mantém a ilusão de ser sabedoria sem nem ao menos reconhecer que tudo que ele vê, cria, define é ilusão.

Tatiane Marta.

segunda-feira, janeiro 29

A arte de viver juntos


É tão difícil e tão simples. É uma mistura de ser e de deixar de ser, de acordar com vontade de nunca acordar...
É uma mistura de dizer sim e exclamar um NÃO redondo, sonoro, único, eterno, mas ainda assim ir ao avesso, ir contra sendo a favor...
Essa coisa óbvia, metódica, plena... Ah!!! tolice...
Não existe, mesmo!!!!
Falo assim, com experiência própria. A gente aprende quando quer, essa é a vantagem de ser racional. Pelo menos uma vantagem! Aprender, se você se queima uma vez, sua memória suga aquela sensação de dor a tal ponto que por um bom tempo, você vai fugir de calor... Mas quando o assunto é amor, Oh, coisa complicada... A gente fica escrevendo cartilhas ultrapassadas, a gente fica escrevendo poemas ridículos, se achando divina, se achando eterna... Será que estou desiludida? Talvez sim, talvez eu esteja relendo um livro antigo, mofado, arcáico... O que vale a pena? No mínimo viver intensamente tudo, beijar na boca, descer do salto ao menos uma vez, tomar todas pelo menos SEMPRE!!! (brincadeirinha), a gente tem que seguir regras, a gente tem que racionalizar os sentimentos pra poder continuar e quando a gente não quer mais continuar.. Aí, a coisa fica sem proporção, uma mistura de medo, dor, angústia, vontade de descer do salto...

Essa viagem eu preciso fazer...

Oceano de Luz


Às vezes me pego assim, divagando em pensamentos, inertes ao vento do tempo que traduz a alegria de viver o tempo criado para me fazer sentir feliz. Esse vento carrega as partículas que regem o universo.
Ainda me encontro com aquelas amarras, entraves místicos que só a evolução cósmica e física poderá romper, sem pressa... Na dor que me faz carregar a certeza que tenho da existência de um oceano de luz a me guiar...
A areia da praia, a estrela cadente, do último dia do ano, o suspiro quente do amado que sonhava em ser pluma... Meu amado príncipe. Que seria de mim sem ti?
Que seria de mim se não fosse a segurança das tuas sílabas átonas, tônicas, exageradas!
Que seria das minhas dúvidas sem as tuas certezas, sem a tua vibração sonora, nos tons afinados da poesia divina?
E as almas gêmeas andam a se buscar, a caminhar inventando lugares onde possam se despir de medos, de limitações profanas. O mundo é uma intriga fabricada pelo ego para nos impor a presença da dor... Dói saber, dói existir dentro desse mundo...
Às vezes me pego assim, descalça a vagar por entre as brechas da psique que abusa da subjetividade para comprovar nossa loucura nata. Somos loucos sensatos, somos deuses perdidos dentro do túnel dos gênios que inventam meios de rasgar pulsos, de penetrar no vácuo e gritar ao silêncio verdades que se fazem mentiras para disfarçar a plenitude da vida.
Certeza mesmo... do meu oceano de luz que respinga esperança, que ameniza minha angústia, caráter típico do homem, a inquietação da gravidez da busca. Busca-se tudo, encontra-se quase tudo, fica sempre faltando algo, se não, onde estaria a graça? a graça de chutar a lata na calçada, de olhar pro breu e querer acender a luz.... De beber aquele gole profundo rasgando a garganta, puxando aquele trago de fumo, cuspindo o chão imundo e se perguntando dia-a-dia sobre tudo... Essa é a filosofia do infinito, milenar... um particular coletivo. Todo mundo sofre inquietações, vibrações, influências, perseguições, mas todo mundo insiste, persiste, sonha... viaja... e ama... O amor tem que está onipresente, onisciente, onipotente... brincando com pedrinhas no escuro, acertando crianças, jovens, velhinhos e adultos. Oh! amor sem vergonha, à solução que dar gargalhada da ilusão de um destino... é por isso que eu tanto amo, que eu tanto clamo e agradeço ao meu deus de luz...
a cartilha que o mestre deixou... Amar assim, intrasitivamente, neologicamente, eternamente, renovando-se, rememorando-se, comemorando-se... Que seria de mim se não fossem essas minhas pirações, desabafos quentes... Que seria de mim se não pulsasse no compasso da paixão, do desejo profundo de estar à frente, a caminho, ao lado, amando...
Que seria de mim se não pudesse compartilhar com meu amado a certeza que tudo ainda é princípio e que essa casca dura custa a largar da pele. Seria tão mais simples se fôssemos mutantes... reconheçamos... Somos eternos... mutantes...